REESTRUTURAÇÃO: AMEAÇA AOS POSTOS DE TRABALHO E PRECARIZAÇÃO DO SERVIÇO DE CORREIO

Vivemos há alguns meses, um cenário desanimador com a falta de liderança que surgiu em nossa praticamente extinta Diretoria Regional do Espírito Santo. Ninguém apitava e a falta de diretriz atrapalhava solucionar até questões simples. Pois bem, a ECT provando que nada é tão ruim que não possa piorar criou o caos. O cenário piorou e mais uma vez parece que sobrará para os trabalhadores. A Caixa de Pandora foi aberta e os reais objetivos da empresa começam a ser sentidos.

A frase ditatorial “Minas mandou” é a mais escutada nos setores operacionais e comerciais. Qualquer questionamento sempre é rechaçado de imediato, como se Minas Gerais fosse o Olimpo de onde vem ordens divinas. Até aí algo comum na ECT, mas as ordens que vem de Minas Gerais é que são o problema. Para entender melhor o que vem ocorrendo é necessário debater sobre a reestruturação em si e faremos a partir de agora.

MACRORREGIÕES

A ECT se dividiu por serviços, mas unificou as áreas de maneira muito parecido com o que foi feito na extinta TELEBRAS um pouco antes da privatização, inclusive há semelhanças até demais. O formato de diretoria regional foi extinto e cria-se macrorregiões que administram um setor específico, é como se a partir da reestruturação nós tivéssemos 8 empresas de correio diferentes. A alegação é dinamizar os processos e aumentar a capacidade de disputa de mercado, exatamente como qualquer outra empresa privada no setor. Além de diminuir gastos e otimizar processos.

CORTE DE GASTOS

Algo que seria bom tem se mostrado muito ruim e perigoso. Na verdade, a empresa só tem cortado no que tem impacto direto aos trabalhadores. Os assessores, gerentes e diretores que perderem seus cargos ganharão outros equivalentes. A ECT também criará novos cargos bem remunerados na estrutura das macrorregiões, sendo assim os gastos e os cargos só irão aumentar, além de novos aluguéis milionários, viagens, diárias, etc.

Mas onde há corte de gastos de verdade? Simples, nas unidades operacionais, comerciais e administrativas. Os setores já convivem com medidas de economia de energia e materiais, para garantir a farra do alto escalão. Vários setores estão sendo obrigados a desligar o ar condicionado em determinado horário ou limitar o uso de materiais de limpeza, por exemplo.

GRANDES ALTERAÇÕES

Esse é o assunto que mais preocupa o sindicato, nessa nova perspectiva de trabalho a ECT deixa bem claro que otimizar é cortar gastos, sobrecarregar os empregados e criar sobra de efetivo sem contratar ninguém. Esses impactos nos trabalhadores vêm sendo omitidos em partes, pois o DDA (Distribuição Domiciliar Alternada) por exemplo, já vem sendo aplicado em todo Brasil. Já existem estudos avançados para que os objetos venham do Rio de Janeiro tratados, tornando quase desnecessária as atividades exercidas no CLES por exemplo. Nas agências a empresa não descartar extinguir as que forem deficitárias, propondo a unificação dessas unidades a outras para assim, diminuir gastos ou aumentar o lucro. Também se especula cortar entrega nas áreas onde houve a universalização e unificar centros de distribuição domiciliária por cidade e ressuscitar as caixas postais comunitárias, como foi no passado. Já o setor administrativo é o mais preocupante a curto prazo, pois com a extinção de gerências, assessorias e departamentos, os trabalhadores ficariam sem lotação no estado de origem.

Com tantas alterações, extinções de setores e unificações de unidades a ECT economizará alguns milhões através da sobrecarga dos trabalhadores e conseguirá sobra de efetivo. Dessa forma, a empresa poderá suprir a falta de mão de obra nos outros estados da macrorregião, já que Minas Gerais e Rio de janeiro tem mais de 3 mil trabalhadores terceirizados e não há empecilho que proibiria a “transferência por necessidade de serviço”.

A LUTA É NECESSÁRIA

Não discordamos que a ECT é administrada em um formato arcaico e que precisa de alterações com urgência, mas nossa preocupação é se essas alterações terão sucesso e de que forma elas irão alterar a vida do trabalhador. Estamos falando de um formato privatista sendo aplicado em nossa empresa. De imediato, é necessário garantir todos os postos de trabalho no Espírito Santo. Não podemos aceitar passivamente que unidades sejam fechadas, que haja a normatização das dobras ou que trabalhadores sejam transferidos contra vontade para outras regiões e estados. Deve-se garantir um mínimo de representação da estrutura gerencial em nosso estado, garantindo os postos de trabalho dos empregados e a capacidade de resolver os problemas locais.

É preciso entender que começamos a travar uma batalha que deve se transformar em guerra. Todos os empregados puderam ver na última campanha salarial os objetivos da ECT. Agora a disputa vai além de defender direitos, devemos nos esforçar para garantirmos nossos empregos.

Pergunte ao seu gestor se ele sabe o que vem com a reestruturação. Faça mais, pergunte se o que dizemos é verdade ou não. Garantimos que nem ele mesmo sabe lhe informar. Voltamos ao período do medo da década de 1990 e foram os trabalhadores que enfrentaram a vontade da empresa e garantiram a ECT de hoje. É chegada a hora de enfrentarmos novamente, mas de maneira coletiva e não por partes da categoria. Só haverá sucesso se todos os empregados compreenderem que somos uma única categoria e que qualquer ataque contra um trabalhador deve ser considerado afronta a todos nós.

Para estabelecer garantias aos trabalhadores e definir nossas bandeiras, além de aprofundarmos o debate sobre a reestruturação, convocamos todos os trabalhadores a participarem da Assembleia Geral Extraordinária no próximo dia 09 de dezembro, onde votaremos também o estado de greve com indicativo de greve para à 0h do dia 17 de dezembro.

Contamos com a participação de todos os trabalhadores

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